Na manhã do dia 30 de janeiro, a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, em Silvânia, teve obra de restauração entregue pelo governador Ronaldo Caiado. O Governo de Goiás investiu R$ 3,4 milhões na preservação do templo bicentenário. “É de uma relevância ímpar. Aqui tem a história de todos que vieram para cá e construíram o estado. E é isso que estamos fazendo: recuperando e dando autoestima ao povo, para que se sinta respeitado”, disse o chefe do executivo goiano. Ele falou ainda, que essa Igreja com certeza estará no circuito turístico religioso do Estado de Goiás.
O evento, promovido pelo Governo de Goiás e pela Prefeitura de Silvânia, destacou a importância de investimentos na manutenção de obras que são verdadeiros marcos da identidade local.

A igreja, tombada pelo Estado como Patrimônio Histórico e Artístico, em 1980, foi construída por volta de 1774 e é uma espécie de marco da fundação da cidade. Possui altares em estilo neoclássico e arquitetura colonial. O restauro envolveu intervenções no altar-mor, coberturas, forros, pisos, revestimentos, elementos de madeira (janelas, portas e esteios), sistemas elétricos e de dados, além de instalações hidrossanitárias, arqueologia e museografia, dentre outras intervenções. “Imaginar que há mais de dois séculos e meio foi construída com tamanha dedicação. Veja bem a dificuldade em se construir [naquela época] essa nossa igreja. Então, a preservação é fundamental”, frisou o governador. “A obra ficou linda, maravilhosa. Aqui será um ponto turístico extremamente importante”, acrescentou.
A restauração teve início em setembro de 2023. Em pouco mais de um ano, foi concluída e a igreja está de portas abertas aos fiéis. O ato de reabertura contou com uma missa celebrada pelo arcebispo metropolitano de Goiânia, Dom João Justino. “É um Dia de Ação de Graças. Que o Senhor do Bonfim, do alto, nos abençoe e nos guarde”, conclamou.
A solenidade de inauguração da obra de restauração, celebrou não apenas a preservação do patrimônio histórico da região, mas também o fortalecimento das raízes culturais do povo de Silvânia. O evento, promovido pelo Governo de Goiás e pela Prefeitura de Silvânia, destacou a importância de investimentos na manutenção de obras que são verdadeiros marcos da identidade local.
Todos se uniram em um momento de celebração e respeito à história e à cultura que a Igreja Nosso Senhor do Bonfim representa, simbolizando a força da comunidade em preservar suas tradições e valores para as futuras gerações.
O prefeito de Silvânia, Carlos Mayer, definiu a igreja como um “patrimônio que resiste ao tempo e guarda em suas paredes a história de um povo”. Também agradeceu ao governador pela parceria e investimento empenhado na restauração. “Está ajudando Silvânia a resgatar sua autoestima, tão abalada nos últimos anos”, disse o gestor municipal. Já o vice-governador Daniel Vilela, afirmou que o projeto estadual de restauração de igrejas “demonstra o bom uso dos recursos públicos” e o cuidado com as raízes dos goianos.
Além da restauração, a igreja ganhou uma escultura de Nosso Senhor do Bonfim esculpida pelo escultor e artista plástico local Zé Cidadão. “Me propus a fazer uma imagem real de Nosso Senhor e gastei cinco meses trabalhando nela. Foi uma alegria muito grande ter sido escolhido para esculpir”, declarou o artista, que doou a peça para a comunidade. O governador elogiou o trabalho do artista e fez questão de dizer ele é um dos mais renomados artesãos do país. A imagem original que ficava no altar-mor, será exposta no Museu de Arte Sacra, dentro da própria igreja.
Na cerimônia, além do governador Ronaldo Caiado, do vice-governador Daniel Vilela, da secretária de estado da Cultura Yara Nunes, do arcebispo de Goiânia, Dom João Justino, do prefeito de Silvânia Carlos Mayer, do vice-prefeito Fábio André e do presidente da Câmara de Vereadores, Pastor Genilton Jorge, estiveram presentes diversos integrantes da comunidade local e inúmeras autoridades estaduais, federais e municipais de Silvânia e da região da Estrada de Ferro (prefeitos, vereadores, secretários e deputados), entre elas a deputada federal Marussa Boldrin e o deputado estadual e vice-presidente da Assembleia Legislativa, Issy Quinan, que teve papel fundamental em todo o processo. Ele recebeu a demanda da comunidade, mesmo antes de tomar posse em 2023 e batalhou incansavelmente para que esse momento fosse possível.
A obra faz parte do projeto Fé, Religiosidade e Devoção, realizado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult). A iniciativa tem como objetivo restaurar nove igrejas em sete municípios goianos, com investimento total de R$ 17 milhões. “O projeto não é voltado somente para o templo religioso em si, mas para a história. Estamos preservando o patrimônio que faz parte da nossa cultura. É o resgate das nossas origens”, ressaltou a secretária da Cultura, Yara Nunes. Além da igreja em Silvânia, já foram restauradas a Igreja Nossa Senhora Aparecida (povoado de Areias) e São João Batista, na cidade de Goiás; a Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Jaraguá; e a Igreja Nossa Senhora das Mercês, em Pilar de Goiás.


A obra de restauração
Em entrevista concedida ao Jornal A Voz, a superintendente de Patrimônio Histórico e Artístico da Secretaria de Estado da Cultura, Bruna Santana Arruda, informou que a Igreja tinha muitas questões que precisavam de cuidado. Estavam preocupados com a fundação, algumas vigas baldrames de madeira estavam corroídas, havia muita umidade que vinha do solo e, também, permeavam do telhado, como também algumas paredes das laterais tiveram que ser reconstruídas por estarem comprometidas.
A estrutura do telhado também precisou de atenção, teve que ser todo desmontado para troca de algumas peças de madeira e de algumas telhas. Ele recebeu uma manta de subcobertura que fica entre as telhas e o forro de madeira que foi colocado na nave e algumas outras áreas para evitar que a umidade da chuva danifique as estruturas.
As intervenções realizadas na estrutura principal do tempo foi a parte mais importante para que a obra perdurasse por mais tempo. Na sequência, foi trabalhada a parte interna da Igreja com a troca de toda a parte elétrica, restauro dos altares tanto o principal quanto os laterais. A Secult, também, trouxe móveis que pertenceram ao Museu Goiano Zoroastro Artiaga, que se encontra também em restauração, para remontar o Museu de Arte Sacra que fica na lateral. “Foi muito cuidado, muito trabalho, mas a Igreja está muito bonita, foram um pouco mais de três milhões de investimento, e quase dois anos de obra, a gente finalmente está podendo entregar para a comunidade”, disse a superintendente.
Para a secretária de Estado da Cultura, Yara Nunes, “o projeto Fé, Religiosidade e Devoção não é voltado somente para o templo religioso em si, literalmente falando, mas nós estamos aqui preservando o patrimônio histórico que faz parte da nossa cultura e que conta muita da cultura goiana, então para nós é o resgate da nossa história, é o resgate da nossa cultura e, principalmente, é mais uma forma com que as pessoas se sintam pertencentes à nossa cultura e aí valorize ainda mais a nossa trajetória.”
A deputada federal Marussa Boldrin falou ao Jornal A Voz e fez questão de cumprimentar toda a população e de dizer que é uma satisfação mais uma vez estar em Silvânia e que é a deputada daqui. Para ela, participar da entrega da restauração “é um momento especial, a oração, a fé que tem nas pessoas e que vai passando por cada ponto dessa restauração, pelas paredes, pelas imagens.” Ela disse, ainda, que fica muito lisonjeada em estar junto com o governador, junto com nosso prefeito Carlão, junto com nossas vereadoras e de dizer que a gente tem um estado seguro e uma cidade que o Carlão está vindo para transformar com apoio dos vereadores. A deputada fez questão de dizer que a gente precisa ter cultura, quando temos cultura, temos turismo, fomento tudo que tem na cidade.


História
A igreja do Nosso Senhor do Bonfim é o principal marco na história de Silvânia, antiga Bonfim, cidade que nasceu do ouro e da religiosidade. Ela foi construída no final do século XVIII, próximo à data de surgimento do Arraial do Bonfim, o que se deu por volta de 1774. Há relatos de que ela foi construída mais precisamente por volta do ano de 1782, quando foi edificada a primeira igreja do Arraial do Bonfim, sobre o próprio “veio do ouro”, na qual foi colocada a imagem de Nosso Senhor do Bonfim, trazida da Bahia. A edificação foi tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Estadual, em 1980, por interferência do ex-deputado estadual José Denisson de Sousa, durante seu primeiro mandato, que a incluiu entre o rol dos bens tombados através da Lei 8.915, de 13/10/1980.
Inicialmente, construiu-se uma pequena capela e altar para a colocação da imagem de Nosso Senhor do Bonfim, no local onde hoje se encontra a capela-mor. Com o passar dos anos e o aumento da população, houve a necessidade de ampliar o templo, passando então a igreja a contar com sacristia, capela-mor, arco-cruzeiro, nave, coro, batistério, corredores laterais e uma pequena torre sineira.
Os devotos constituíram inicialmente quatro Irmandades: a de Nossa Senhora do Rosário (que posteriormente construiu seu próprio templo, saindo da antiga Matriz do Bonfim), a de São Miguel e Almas, a de São Benedito e a do Santíssimo Sacramento. Cada irmandade possuía um retábulo para acomodar seus santos de devoção e hoje restam apenas dois desses retábulos.
Uma das histórias mais curiosas do templo é que sob as paredes de adobe e pau-a-pique do prédio restaria o maior e mais rico veio de ouro, esquecido em volta de diversas outras lavras exauridas e abandonadas na época da mineração.
O templo possui arquitetura colonial, é construído no sistema de gaiolas e possui altares em estilo neoclássico. Essa arquitetura simplificada é típica do período, marcado pela ausência de grandes saltos no processo econômico e social da região e parece guardar influência do modelo arquitetônico cultivado no Vale do Piranga, em Minas Gerais. No passado ela chegou a possuir, além altar-mor e dos dois altares laterais existentes atualmente, dois outros altares que ficavam nas paredes laterais, no meio da nave, que desapareceram ao longo do tempo. Em fotos tiradas na primeira metade do século passado é possível identificá-los.
Em 7 de outubro de 1827, o inglês Willian John Burchell, esteve em Bonfim e fez um desenho, o de nº 181, onde é possível ver os fundos da Igreja Nosso Senhor do Bonfim. Nele verifica-se que a Igreja possuía a atual sacristia, a capela-mor e uma parte da lateral esquerda. Com esse desenho, reafirma-se que a Igreja do Bonfim seguiu as características das construções da época, onde os templos eram construídos ao longo do tempo. Primeiro, ao se formar uma nova povoação construía-se uma capela, em seguida, por já ser pequena para o público, esta é ampliada. A antiga capela transforma-se na capela-mor e é construída a nave. Em seguida constrói as capelas laterais. Há relatos de que a Igreja tenha chegado ao formato atual, mas ainda sem a torre do sino, em 1849.
Até 1846, eram feitos sepultamentos dentro da igreja. Após essa data, devido à interdição da vigilância sanitária da época, por causa da ocorrência de pestes, a igreja adquiriu um terreno para o cemitério.
A atual capela-mor era a capela antiga. A ela foi acrescida a atual nave central. As laterais também foram acrescidas depois. Os arcos laterais foram construídos em 1915 pelo Pe. Salomão Pinto Vieira, mesmo período em que foi construído o torreão do sino ou campanário. O sino antigamente estava num poste. Depois o colocaram na janela do coro. De lá o transferiram para o torreão.
A capela de N. Sra. do Rosário era antigamente o consistório. Do outro lado havia outro consistório semelhante. Esse segundo foi transformado em capela de Santa Teresinha, pelo Pe. José Quintiliano Leo-poldo e Silva, no início da década de 1940. E, mais tarde, passou a abrigar o Museu de Arte Sacra de Silvânia.
(Fonte: Agência Cora de Notícias, com informações da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Silvânia, e arquivos do Jornal A Voz e da Sociedade Bonfinense de Cultura.)
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Grande número de pessoas pôde prestigiar a solenidade de inauguração. Foto: Kamilla Brandão / Secult Goiás






